quarta-feira, 25 de junho de 2008

eu tenho medo de ficar velha.
não tem nada a ver com a capa sabe?
não ligo se os peitos vão cair, se minha bunda vai ficar parecendo um queijo suíço, se as rugas em torno dos meus olhos não vão ser passíveis de disfarce nem com 3 quilos de maquiagem. envelhecer pra mim não diz respeito aos cabelos brancos, a mudança de timbre, a dor nas costas. eu não quero sentir é o peso da caretice, da impotência de guardar coisas pra contar aos outros depois.
não quero é passar a reclamar do cheiro do cigarro dos outros; condenar aqueles que escapam ilicitamente da merda de vida que vivem, pedir pros filhos ouvirem música mais baixo só porque é meia noite e reclamar com o síndico do baterista da porta ao lado.
eu não quero é me render, me acomodar.
de jeito nenhum sentar com meu chá e ver a porra de uma novela besta.
que deus conserve minha eterna juventude.

rio, 14 de maio de 2007.

eu envelheci uns 60 anos em 1 ano. infelizmente.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

"pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo" C.F.A.

ele me conquistou e não foi muito difícil eu confesso. quando dei por mim já estava desejando seus abraços e beijos e horas interminaveis de conversa interessantíssimas que ninguém mais no mundo poderia me proporcionar. o desonhado que eu sempre tinha sonhado. complexo de édipo a parte, ele me conquistou, descuidou um pouco claro, eu vacilei deixei que ele percebesse toda minha verdade. não escondi nada, não ameacei, não deixei que ele sentisse nem um sombra fraca de insegurança. burra que sou. fiz com que soubesse que ele é tudo que eu quero, quando não devia ter feito.

"pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo" C.F.A.

sexta-feira, 28 de março de 2008

partes de abelardo.

...
andamos pela rua, e ele me contou de um episódio inusitado em que ficou bêbado. e eu ri sinceramente. abelardo era definitivamente, apesar de tudo, muito engraçado.pé na frente do outro, seguimos pelo calçadão. mas era fevereiro. segunda feira, 27 de fevereiro. e fazia um calor típico de rio de janeiro.-ah abelardo, vamos sentar num banquinho vamos? eu não sabia se ele ia gostar de meter os pés na areia, mas eu não me importava, a gente ia andar pela porra da areia e sentar num banco. pisamos na areia de tênis e tudo. sentamos. acendi um cigarro. ofereci e ele recusou. dez palmos separavam-nos fisicamente. mil anos separavam nos espiritualmente. ah abelardo eu queria ter gostado de você. eu te juro. abelardo não sabia jogar, e eu também não sei. mas as cartas dele já estavam todas na mesa, e eu não tinha nem baralho. eu sequer sentei à mesa. fiquei de espreita olhando por cima dos ombros dos que se arriscavam. e pasmem, ali estava abelardo se arriscando. ele gostava de mim. mas eu não gostava dele. e isso me entristece. silêncio. ele me deixou sóbria com toda aquela confissão incisiva de amor e meus olhos estão fixos no mar. eu penso no que devem estar pensando de nós. eu penso que sou definitivamente zicada pra homens.
nós permanecemos mudos e pensativos por minutos a fio. e se não fosse pela cantoria do vendendor ambulante o silêncio seria audível. são dez horas da noite e eu, apesar do desconforto, não quero que abelardo vá. mas ele precisa. acompanho-o até o ponto de ônibus. olho pra ele, abraço. desculpa abelardo. me perdoa se te iludi. se não cumpri. amanhã eu tinha aula, e tomei a rua principal do bairro. parei no mc donalds, fiz um xixi. comprei um lanche nojento daqueles, entrei no meu ônibus. abri a porta e a casa estava as escuras, e o desenho que fiz pra abelardo perdido na escuridão. e a letra dele ali no papel. e o lugar que ele sentou ainda estava amassado. amassa o papel. e abelardo, amassa seu sentimento, amassa sua dor. esconde aí, põe embaixo dum colchão. porque eu, eu vou sentar confortavelmente e ligar a tv na novela. comer minha batata frita fria e depois dormir o sono dos justos. vc vai doer e eu vou doer por você. nada além.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

pacientemente, me sentei por um ano no sofá quadriculado do mesmo modo que eu fiz por muitos outros me sentando; pernas juntas, pendendo no ar em minha cama.
olhando pra teve, olhando pra porta, olhando pra parede, olhando para os meus próprios pés.
pacientemente eu vidrava os olhos no celular para olhar as horas.
sem expectativas de chamadas ao menos perdidas, sem expectativas de vc.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

tenho esquecido
os compromissos
as compressas
e os caprichos
tenho sido submissa
noviça de uma nova religião
tenho rezado no silêncio do colchão
e rasgado meu sono
meu silêncio
minhas saliências
tenho tido mais paciência
e mais medo
e vontade de deitar mais cedo
tenho tido mais tesão
menos tempo pra diversão
mas em compensação
descobri a capacidade
de sentir a eternidade.

*adaptado de paula taitelbaum

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

é muita vontade de gritar, cantar, chorar, chorar de rir, amar, ser, existir, viver, beber, transar, falar, rodar, abraçar, beijar, dizer te amo, sentir que amo, me desculpar, agradar, ser agradada, estar junto, estar longe, brincar, fumar, rolar, ler, escrever, tomar banho de mar, fazer carinho, compreender, ser compreendida, arrumar, desarrumar, me despir, me vestir...
é vontade demais?
e quando a vontade não vira realidade?
eu choro, me fodo, ou dou risada?
e se eu não suportar meus próprios silêncios, tédios e angústias?
e se eu não suporto minhas mudanças, suas mudanças, a mudança do mundo?
e porque eu não suporto nada que eu não tenha muita vontade de?

why's it so hard to tell you what I want? why can't you just read my mind? ...

porque todo mundo não pode ler minha mente...

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

você pensa nos momentos bons ou nos momentos plenos?
você vive plenamente seus bons momentos?!
ou ainda está parado lá no passado?
em tudo que já está estragado, pisado, e devia estar enterrado?
porque sobra sempre tanta falta..?
e minhas alegrias pulsantes?!