tenho esquecido
os compromissos
as compressas
e os caprichos
tenho sido submissa
noviça de uma nova religião
tenho rezado no silêncio do colchão
e rasgado meu sono
meu silêncio
minhas saliências
tenho tido mais paciência
e mais medo
e vontade de deitar mais cedo
tenho tido mais tesão
menos tempo pra diversão
mas em compensação
descobri a capacidade
de sentir a eternidade.
*adaptado de paula taitelbaum
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
é muita vontade de gritar, cantar, chorar, chorar de rir, amar, ser, existir, viver, beber, transar, falar, rodar, abraçar, beijar, dizer te amo, sentir que amo, me desculpar, agradar, ser agradada, estar junto, estar longe, brincar, fumar, rolar, ler, escrever, tomar banho de mar, fazer carinho, compreender, ser compreendida, arrumar, desarrumar, me despir, me vestir...
é vontade demais?
e quando a vontade não vira realidade?
eu choro, me fodo, ou dou risada?
e se eu não suportar meus próprios silêncios, tédios e angústias?
e se eu não suporto minhas mudanças, suas mudanças, a mudança do mundo?
e porque eu não suporto nada que eu não tenha muita vontade de?
why's it so hard to tell you what I want? why can't you just read my mind? ...
porque todo mundo não pode ler minha mente...
é vontade demais?
e quando a vontade não vira realidade?
eu choro, me fodo, ou dou risada?
e se eu não suportar meus próprios silêncios, tédios e angústias?
e se eu não suporto minhas mudanças, suas mudanças, a mudança do mundo?
e porque eu não suporto nada que eu não tenha muita vontade de?
why's it so hard to tell you what I want? why can't you just read my mind? ...
porque todo mundo não pode ler minha mente...
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
terça-feira, 21 de agosto de 2007
domingo, 12 de agosto de 2007
terça-feira, 7 de agosto de 2007
sapatos erradicados.
velhos tênis pretos calçam meus pés. apertam meus dedos, fazem calos. os mesmos machucados
marcados. e solados furados dançam em frenesi por calçadas sujas, correm por pedras, sujam meus sapatos, me sujam. as vezes até os tornozelos.
tem lama. lama que mancha meu all star preto que não quer mais se gastar.
vou te lavar e não te usar mais por aí.
pegarei meu par sujo, e guardarei embrulhado no armário porque não jogo fora as lembranças de mim. mas que sejam só lembranças.
quero meus pés gelados, agora, sentido o chão.
velhos tênis pretos calçam meus pés. apertam meus dedos, fazem calos. os mesmos machucados
marcados. e solados furados dançam em frenesi por calçadas sujas, correm por pedras, sujam meus sapatos, me sujam. as vezes até os tornozelos.
tem lama. lama que mancha meu all star preto que não quer mais se gastar.
vou te lavar e não te usar mais por aí.
pegarei meu par sujo, e guardarei embrulhado no armário porque não jogo fora as lembranças de mim. mas que sejam só lembranças.
quero meus pés gelados, agora, sentido o chão.
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
i might be wrong
i might be wrong
i could have sworn
i saw a light coming home
i used to think
i used to think
there was no future left at all
open up begin again
lets go down the waterfall
think about the good time and never look back
never look back
what would i do?
what would i do?
if i did not have you
open up and let me in lets go down the waterfall
have ourselves a good time its nothing at all
nothing at all
nothing at all
radiohead.
i might be wrong
i could have sworn
i saw a light coming home
i used to think
i used to think
there was no future left at all
open up begin again
lets go down the waterfall
think about the good time and never look back
never look back
what would i do?
what would i do?
if i did not have you
open up and let me in lets go down the waterfall
have ourselves a good time its nothing at all
nothing at all
nothing at all
radiohead.
domingo, 5 de agosto de 2007
terça-feira, 19 de junho de 2007
muito mais que errar é persistir no erro.
é aquilo ali, que faz com que o resultado final não dê prazer. e continuar fazendo.
por comodidade ou por hábito. porque aquilo não incomoda o suficiente. só um pouquinho...
a gente não deve errar e se desesperar. o passo a ser tomado está bem na nossa cara. simples assim, não faça a mesmo bobagem de novo. e para isso há de se ter disciplina.
eu não choro mais nem arranco meus cabelos pelo que fiz no passado. não tem como voltar.
o que comi, fumei, bebi, gritei, está lá intocável, guardado, fixo pra sempre na memória. assustador e tão lindo, jazendo ainda quentinho.
a disciplina vigia e te liberta, já dizia alguém, disciplina é liberdade. te faz novo.
porque mais importante que assumir que errou, que esfregar o erro minuciosamente na cara, desnudando cada pedaço do passo em falso que foi dado é a coragem de mudar. sem erro de errar.
"open up, begin again
let's go down the waterfall
think about the good times and
never look back never look back"
thom yorke
é aquilo ali, que faz com que o resultado final não dê prazer. e continuar fazendo.
por comodidade ou por hábito. porque aquilo não incomoda o suficiente. só um pouquinho...
a gente não deve errar e se desesperar. o passo a ser tomado está bem na nossa cara. simples assim, não faça a mesmo bobagem de novo. e para isso há de se ter disciplina.
eu não choro mais nem arranco meus cabelos pelo que fiz no passado. não tem como voltar.
o que comi, fumei, bebi, gritei, está lá intocável, guardado, fixo pra sempre na memória. assustador e tão lindo, jazendo ainda quentinho.
a disciplina vigia e te liberta, já dizia alguém, disciplina é liberdade. te faz novo.
porque mais importante que assumir que errou, que esfregar o erro minuciosamente na cara, desnudando cada pedaço do passo em falso que foi dado é a coragem de mudar. sem erro de errar.
"open up, begin again
let's go down the waterfall
think about the good times and
never look back never look back"
thom yorke
terça-feira, 12 de junho de 2007
terça-feira, 5 de junho de 2007
segunda-feira, 28 de maio de 2007
terça-feira, 22 de maio de 2007
sábado, 19 de maio de 2007
ana, maria e paula.perdida nas palavras e perdida delas nelas.
elas, as meninas e as palavras, se entrecruzam em desespero e salvação.
sofrem as dores uma das outras.
ana é aquela que nem nas palavras consegue estar.
maria está em cada vírgula e ela não se disperdiça.
e paula, se disperdiça não disperdiçando nada de maria.
segunda-feira, 14 de maio de 2007
peguei no volante do carro e baixei o vidro da janela por inteiro.
pé de all star no acelerador, e não beibe, eu não vou parar!
vou ligar o rádio num rock muito louco e deixar ventar!
vou me descabelar e não quero nem saber de frear.
eu fiz sexo louco e bêbado com você e engravidei de maria.
depois passei o cigarro pra mão esquerda, segurei o lápis na direita e comecei.
eu não sabia que podia até que fui lá e fiz.
me viciei nessa hiperatividade mental. me apaixonei por ela e ela me salva de todas as rejeições de mim. ela me envolve e me deixa de alma azul e dedos doloridos e agora eu tô é muito felizmente fudida. e não largo mais da sua mão.
quer me deixar bêbada?! eu deixo!
quer dançar até morrer?! eu danço!
que me empurrar do precipício? eu não te solto and here we go!
tô gastanto todas as minhas moedas pra te conhecer. todos os meus grafites, riscos, letras e bics. você é um vício do caralho. e é só garrancho e papel no nosso ninho de amor.
você é a melhor briga que já comprei.
~
"and say a word for joanna love
she ain't got nothing at all
'cos everyday she falls in love
and everynight she falls when she does"
oh sweet nothing . velvet underground
sábado, 12 de maio de 2007
hoje eu construí maria.
maria é fruto de pensamentos, ela sou o que não consigo viver.
ela anda por onde não posso chegar, ela pisa onde meus pés jamais podem me levar.
ela come o que eu como, ela beija todos que beijei. mas ela ainda é além.
ela leva sozinha a vida dela pra passear, é tocada na alma e toca.
ela descende de um profundo tédio, que amamentou os filhotes da imaginação(?)
ou será que é o contrário?!
maria também é perdida.
ela é grande e não tenta se esconder.
seus sentimentos gritam, e ela explode em desinspiração.
des.
espero.
ins.
piração.
ção.
emoção .
maria é fruto de pensamentos, ela sou o que não consigo viver.
ela anda por onde não posso chegar, ela pisa onde meus pés jamais podem me levar.
ela come o que eu como, ela beija todos que beijei. mas ela ainda é além.
ela leva sozinha a vida dela pra passear, é tocada na alma e toca.
ela descende de um profundo tédio, que amamentou os filhotes da imaginação(?)
ou será que é o contrário?!
maria também é perdida.
ela é grande e não tenta se esconder.
seus sentimentos gritam, e ela explode em desinspiração.
des.
espero.
ins.
piração.
ção.
emoção .
segunda-feira, 7 de maio de 2007
escova maria.
escova esse seu cabelo.
levante aí. insone no meio da madrugada como quem não quer nada.
arruma a casa, porque ela está caindo.
é sujeira pra todo lado e daqui a pouco as baratas vão vir morar no seu ouvido.
vai pro banheiro e faz um xixi.
use sua mãozinha e tire os cabelos que caíram na pia.
pega a tal vassoura e varre essa imundice no chão.
são cabelos, e cabelos e cabelos por todos os lados.
juntos com um pano sujo.
escova esse seu cabelo.
levante aí. insone no meio da madrugada como quem não quer nada.
arruma a casa, porque ela está caindo.
é sujeira pra todo lado e daqui a pouco as baratas vão vir morar no seu ouvido.
vai pro banheiro e faz um xixi.
use sua mãozinha e tire os cabelos que caíram na pia.
pega a tal vassoura e varre essa imundice no chão.
são cabelos, e cabelos e cabelos por todos os lados.
juntos com um pano sujo.
terça-feira, 1 de maio de 2007
a concha e a menina.
a menina viveu numa concha por longos 17 anos. lá ela aprendeu a ser. a ser amor, lágrima, sorriso e dor. na concha ela podia se debater e sempre que ela caía o chão virava lago a parede virava esponja.ela mergulhava de costas e se necessário ficava no lá no fundo.e se reclamassem? surdez temporária, a água entrava nos ouvidos. um dia ela decidiu, vejam só, decidiu de livre e espontâneo desespero deixar a concha. inventou uma desculpa, e caiu fora. e quando a dor aparece a menina quer voltar pra concha com paredes rabiscadas. mas ela não pode.
a menina viveu numa concha por longos 17 anos. lá ela aprendeu a ser. a ser amor, lágrima, sorriso e dor. na concha ela podia se debater e sempre que ela caía o chão virava lago a parede virava esponja.ela mergulhava de costas e se necessário ficava no lá no fundo.e se reclamassem? surdez temporária, a água entrava nos ouvidos. um dia ela decidiu, vejam só, decidiu de livre e espontâneo desespero deixar a concha. inventou uma desculpa, e caiu fora. e quando a dor aparece a menina quer voltar pra concha com paredes rabiscadas. mas ela não pode.
segunda-feira, 23 de abril de 2007
chupando um limão.
nove dias insuportávelmente difíceis.passei da decepção para a dor, seguindo rumo a raiva, depois a perplexidade, tristeza para o arrependimento, para o vazio.mum mergulho de todo e qualquer sentimento que me lembre com pesar aquele que perdi.mem um resquício de felicidade. fugi de todas as minhas inspirações, fugi da dor, fugi de mim. me abriguei em canções tristes de jazz e rock, que antes teriam me levado as nuvens. fumei feito uma puta; chorei como se tivesse perdido um braço; bebi como uma doida. deixei os dias passarem por mim.me levantava de manhã, ia a aula, sorria enquanto sangrava. gastei muito mais do que posso pagar; não consegui achar ninguém interessante. voltava pra casa vazia; vazia. pijama velho, cigarro atrás de cigarro, letras bêbadas de jazz atrás de letras bêbadas de jazz, uma cerveja atrás da outra. fiquei bêbada com minha amiga, fiquei bêbada sozinha, mandei mensagem no celular, chorei no meio da rua, perdi meu rumo. devorei qualquer coisa com chocolate, até nescau eu tomei, e só deus sabe o quanto eu odeio leite.engordei cinco quilos de decepção. me perdi em dor, e dormir só com remédios.remédios pra emagrecer, remédio pra me acalmar, remédios que fazem viajar. três comprimidos de uma vez só e com a quantidade de álcool no meu sangue fico feliz de estar aqui acendendo outro cigarro. meu estômago está tão cheio que acho que vou explodir. e a minha mãe me perguntaria: paula! onde está seu equilibrio?mas que porra de equilíbrio? Na casa do caralho: eu responderia de volta. Eu limpei a casa, mas ela já está imunda de novo.o cheiro de flor sei lá do que do desinfetante já foi substituido pelo da nicotina e o chão gruda na sola do tênis por causa da cerveja que entorna enquanto eu tento dançar pela casa, e que se foda o vizinho se a música está explodindo nas caixas de som. o céu parece que vai cair, alguém avisa ao filho da puta que o meu céu está caindo? ou talvez não esteja?!
nove dias insuportávelmente difíceis.passei da decepção para a dor, seguindo rumo a raiva, depois a perplexidade, tristeza para o arrependimento, para o vazio.mum mergulho de todo e qualquer sentimento que me lembre com pesar aquele que perdi.mem um resquício de felicidade. fugi de todas as minhas inspirações, fugi da dor, fugi de mim. me abriguei em canções tristes de jazz e rock, que antes teriam me levado as nuvens. fumei feito uma puta; chorei como se tivesse perdido um braço; bebi como uma doida. deixei os dias passarem por mim.me levantava de manhã, ia a aula, sorria enquanto sangrava. gastei muito mais do que posso pagar; não consegui achar ninguém interessante. voltava pra casa vazia; vazia. pijama velho, cigarro atrás de cigarro, letras bêbadas de jazz atrás de letras bêbadas de jazz, uma cerveja atrás da outra. fiquei bêbada com minha amiga, fiquei bêbada sozinha, mandei mensagem no celular, chorei no meio da rua, perdi meu rumo. devorei qualquer coisa com chocolate, até nescau eu tomei, e só deus sabe o quanto eu odeio leite.engordei cinco quilos de decepção. me perdi em dor, e dormir só com remédios.remédios pra emagrecer, remédio pra me acalmar, remédios que fazem viajar. três comprimidos de uma vez só e com a quantidade de álcool no meu sangue fico feliz de estar aqui acendendo outro cigarro. meu estômago está tão cheio que acho que vou explodir. e a minha mãe me perguntaria: paula! onde está seu equilibrio?mas que porra de equilíbrio? Na casa do caralho: eu responderia de volta. Eu limpei a casa, mas ela já está imunda de novo.o cheiro de flor sei lá do que do desinfetante já foi substituido pelo da nicotina e o chão gruda na sola do tênis por causa da cerveja que entorna enquanto eu tento dançar pela casa, e que se foda o vizinho se a música está explodindo nas caixas de som. o céu parece que vai cair, alguém avisa ao filho da puta que o meu céu está caindo? ou talvez não esteja?!
quinta-feira, 29 de março de 2007
segunda-feira, 26 de março de 2007
forças da fortuna
traço linhas retas e tenho diretrizes definidas;
caminho as cegas nessas ruas sem iluminação.
sopro coisas sem qualquer concretude em seus ouvidos, busco pistas.
a coragem, minha mãe, irmã, conselheira e melhor amiga me ampara.
braços dados, passos decididos, corações assustados. caminhamos.
braços dados, passos decididos, corações assustados. caminhamos.
traço linhas retas e tenho diretrizes definidas;
caminho as cegas nessas ruas sem iluminação.
sopro coisas sem qualquer concretude em seus ouvidos, busco pistas.
a coragem, minha mãe, irmã, conselheira e melhor amiga me ampara.
braços dados, passos decididos, corações assustados. caminhamos.
braços dados, passos decididos, corações assustados. caminhamos.
sábado, 24 de março de 2007
a caixa de pandora.
você me liga diariamente e reclama, na sua delicadeza, que eu nunca tenho o que falar.eu retruco, na minha rispidez, falando que nada acontece minha vida. você quer falar sobre habituais coisas que te ocorrem e que te fazem feliz. eu não sei se quero ouvir. porque eu não quero viver de mesmices. eu me armo de palavras rudes, e metades de meias histórias mal contadas. e entre um "tá" e um "tô" de meus lábios vc fica triste.e eu fico triste. desligamos. e eu sinto a quilômetros sua frustação. porque já me frustaram também. a mesma dor provocada por atos muito distintos. eu queria ter coragem pra discar seu número, ouvir a sua voz e dizer "desculpa, te amo muito". mas a covardia abre seus braços, estende suas mãos, segura com força o que sinto e guarda. e eu jogo esse momento fora. arquivo essa vontade. pego a nossa frustação, a minha rispidez e coloco de volta na caixa de pandora.
você me liga diariamente e reclama, na sua delicadeza, que eu nunca tenho o que falar.eu retruco, na minha rispidez, falando que nada acontece minha vida. você quer falar sobre habituais coisas que te ocorrem e que te fazem feliz. eu não sei se quero ouvir. porque eu não quero viver de mesmices. eu me armo de palavras rudes, e metades de meias histórias mal contadas. e entre um "tá" e um "tô" de meus lábios vc fica triste.e eu fico triste. desligamos. e eu sinto a quilômetros sua frustação. porque já me frustaram também. a mesma dor provocada por atos muito distintos. eu queria ter coragem pra discar seu número, ouvir a sua voz e dizer "desculpa, te amo muito". mas a covardia abre seus braços, estende suas mãos, segura com força o que sinto e guarda. e eu jogo esse momento fora. arquivo essa vontade. pego a nossa frustação, a minha rispidez e coloco de volta na caixa de pandora.
sexta-feira, 23 de março de 2007
o contra baixo e o beijo.
meu corpo ainda está sob aquela parede
e meu coração permanece - dias depois -
batento no mesmo compasso -descompassado.
suas mãos primeiro em minhas costas,
depois, a ponta de seus dedos passam pela minha nuca,
e puxam finalmente meus fios de cabelo.
minha língua toca a sua e a gente dança ao som grave do baixo.
eu queria te beijar pra sempre nesse presente.
" em sonhos nos toca o corpo, em pensamentos constrói um milagre, na imaginação afligi-se até tornar-se humano (...) o último desejo (...) não pode ser amargo, não pode ser negado, não pode ser contido ".
allen ginsberg
meu corpo ainda está sob aquela parede
e meu coração permanece - dias depois -
batento no mesmo compasso -descompassado.
suas mãos primeiro em minhas costas,
depois, a ponta de seus dedos passam pela minha nuca,
e puxam finalmente meus fios de cabelo.
minha língua toca a sua e a gente dança ao som grave do baixo.
eu queria te beijar pra sempre nesse presente.
" em sonhos nos toca o corpo, em pensamentos constrói um milagre, na imaginação afligi-se até tornar-se humano (...) o último desejo (...) não pode ser amargo, não pode ser negado, não pode ser contido ".
allen ginsberg
quinta-feira, 22 de março de 2007
chuva de verão
quando julia era criança ela tinha medo de tudo. medo de escuro, medo de cachorro, medo da noite, medo do pai, medo da descarga do banheiro, enfim, tudo aquilo que ela não conseguia prever como poderia reagir a assustava. mas sobretudo as tempestades.
nos meses de verão sempre chovia no fim da tarde. era como uma lenta dança da natureza. as nuvens se agrupavam, escureciam, e o dia virava quase noite. a empregada corria para fora de casa pra recolher as roupas que secavam no varal, a mãe fazia o sinal da cruz como um mantra a cada trovoada forte e os cachorros dos vizinhos se escondiam. nesses pequenos minutos que precediam a grande chuva, julia queria se esconder, abraçar alguém muito forte, ou simplesmente chorar. por vezes ela rezava e pedia ao pai do céu para que o barulho passasse. pedia com tanta crença que as vezes ela achava que tudo tinha passado por causa do medo dela.
quando o vento batia e as nuvens se discipavam ela ia para fora de casa, e sentia a energia da terra na sola dos pés. ela olhava pra cima, jogava os braços pro alto e rodava no quintal até cair tonta no chão. as vezes ela achava que via deus, sentado num grande trono de madeira usando uma manta vermelha com anjos em volta.
julia cresceu, mas a natureza continuava com as mesmas chuvas de verão. e já adulta ela não tinha mais pavor da trovoada nem dos clarões que as anunciavam, mas ela tinha medo de escrever sobre isso. e quando tudo ficava escuro vinha a nostalgia.
quando julia era criança ela tinha medo de tudo. medo de escuro, medo de cachorro, medo da noite, medo do pai, medo da descarga do banheiro, enfim, tudo aquilo que ela não conseguia prever como poderia reagir a assustava. mas sobretudo as tempestades.
nos meses de verão sempre chovia no fim da tarde. era como uma lenta dança da natureza. as nuvens se agrupavam, escureciam, e o dia virava quase noite. a empregada corria para fora de casa pra recolher as roupas que secavam no varal, a mãe fazia o sinal da cruz como um mantra a cada trovoada forte e os cachorros dos vizinhos se escondiam. nesses pequenos minutos que precediam a grande chuva, julia queria se esconder, abraçar alguém muito forte, ou simplesmente chorar. por vezes ela rezava e pedia ao pai do céu para que o barulho passasse. pedia com tanta crença que as vezes ela achava que tudo tinha passado por causa do medo dela.
quando o vento batia e as nuvens se discipavam ela ia para fora de casa, e sentia a energia da terra na sola dos pés. ela olhava pra cima, jogava os braços pro alto e rodava no quintal até cair tonta no chão. as vezes ela achava que via deus, sentado num grande trono de madeira usando uma manta vermelha com anjos em volta.
julia cresceu, mas a natureza continuava com as mesmas chuvas de verão. e já adulta ela não tinha mais pavor da trovoada nem dos clarões que as anunciavam, mas ela tinha medo de escrever sobre isso. e quando tudo ficava escuro vinha a nostalgia.
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