será que quando eu ficar velha
o arrependimento virá
ao lembrar do tempo que
passo só (só) olhando pela janela?
"Life is what happens to you while you´re busy making other plans". John Lennon
quinta-feira, 29 de março de 2007
segunda-feira, 26 de março de 2007
forças da fortuna
traço linhas retas e tenho diretrizes definidas;
caminho as cegas nessas ruas sem iluminação.
sopro coisas sem qualquer concretude em seus ouvidos, busco pistas.
a coragem, minha mãe, irmã, conselheira e melhor amiga me ampara.
braços dados, passos decididos, corações assustados. caminhamos.
braços dados, passos decididos, corações assustados. caminhamos.
traço linhas retas e tenho diretrizes definidas;
caminho as cegas nessas ruas sem iluminação.
sopro coisas sem qualquer concretude em seus ouvidos, busco pistas.
a coragem, minha mãe, irmã, conselheira e melhor amiga me ampara.
braços dados, passos decididos, corações assustados. caminhamos.
braços dados, passos decididos, corações assustados. caminhamos.
sábado, 24 de março de 2007
a caixa de pandora.
você me liga diariamente e reclama, na sua delicadeza, que eu nunca tenho o que falar.eu retruco, na minha rispidez, falando que nada acontece minha vida. você quer falar sobre habituais coisas que te ocorrem e que te fazem feliz. eu não sei se quero ouvir. porque eu não quero viver de mesmices. eu me armo de palavras rudes, e metades de meias histórias mal contadas. e entre um "tá" e um "tô" de meus lábios vc fica triste.e eu fico triste. desligamos. e eu sinto a quilômetros sua frustação. porque já me frustaram também. a mesma dor provocada por atos muito distintos. eu queria ter coragem pra discar seu número, ouvir a sua voz e dizer "desculpa, te amo muito". mas a covardia abre seus braços, estende suas mãos, segura com força o que sinto e guarda. e eu jogo esse momento fora. arquivo essa vontade. pego a nossa frustação, a minha rispidez e coloco de volta na caixa de pandora.
você me liga diariamente e reclama, na sua delicadeza, que eu nunca tenho o que falar.eu retruco, na minha rispidez, falando que nada acontece minha vida. você quer falar sobre habituais coisas que te ocorrem e que te fazem feliz. eu não sei se quero ouvir. porque eu não quero viver de mesmices. eu me armo de palavras rudes, e metades de meias histórias mal contadas. e entre um "tá" e um "tô" de meus lábios vc fica triste.e eu fico triste. desligamos. e eu sinto a quilômetros sua frustação. porque já me frustaram também. a mesma dor provocada por atos muito distintos. eu queria ter coragem pra discar seu número, ouvir a sua voz e dizer "desculpa, te amo muito". mas a covardia abre seus braços, estende suas mãos, segura com força o que sinto e guarda. e eu jogo esse momento fora. arquivo essa vontade. pego a nossa frustação, a minha rispidez e coloco de volta na caixa de pandora.
sexta-feira, 23 de março de 2007
o contra baixo e o beijo.
meu corpo ainda está sob aquela parede
e meu coração permanece - dias depois -
batento no mesmo compasso -descompassado.
suas mãos primeiro em minhas costas,
depois, a ponta de seus dedos passam pela minha nuca,
e puxam finalmente meus fios de cabelo.
minha língua toca a sua e a gente dança ao som grave do baixo.
eu queria te beijar pra sempre nesse presente.
" em sonhos nos toca o corpo, em pensamentos constrói um milagre, na imaginação afligi-se até tornar-se humano (...) o último desejo (...) não pode ser amargo, não pode ser negado, não pode ser contido ".
allen ginsberg
meu corpo ainda está sob aquela parede
e meu coração permanece - dias depois -
batento no mesmo compasso -descompassado.
suas mãos primeiro em minhas costas,
depois, a ponta de seus dedos passam pela minha nuca,
e puxam finalmente meus fios de cabelo.
minha língua toca a sua e a gente dança ao som grave do baixo.
eu queria te beijar pra sempre nesse presente.
" em sonhos nos toca o corpo, em pensamentos constrói um milagre, na imaginação afligi-se até tornar-se humano (...) o último desejo (...) não pode ser amargo, não pode ser negado, não pode ser contido ".
allen ginsberg
quinta-feira, 22 de março de 2007
chuva de verão
quando julia era criança ela tinha medo de tudo. medo de escuro, medo de cachorro, medo da noite, medo do pai, medo da descarga do banheiro, enfim, tudo aquilo que ela não conseguia prever como poderia reagir a assustava. mas sobretudo as tempestades.
nos meses de verão sempre chovia no fim da tarde. era como uma lenta dança da natureza. as nuvens se agrupavam, escureciam, e o dia virava quase noite. a empregada corria para fora de casa pra recolher as roupas que secavam no varal, a mãe fazia o sinal da cruz como um mantra a cada trovoada forte e os cachorros dos vizinhos se escondiam. nesses pequenos minutos que precediam a grande chuva, julia queria se esconder, abraçar alguém muito forte, ou simplesmente chorar. por vezes ela rezava e pedia ao pai do céu para que o barulho passasse. pedia com tanta crença que as vezes ela achava que tudo tinha passado por causa do medo dela.
quando o vento batia e as nuvens se discipavam ela ia para fora de casa, e sentia a energia da terra na sola dos pés. ela olhava pra cima, jogava os braços pro alto e rodava no quintal até cair tonta no chão. as vezes ela achava que via deus, sentado num grande trono de madeira usando uma manta vermelha com anjos em volta.
julia cresceu, mas a natureza continuava com as mesmas chuvas de verão. e já adulta ela não tinha mais pavor da trovoada nem dos clarões que as anunciavam, mas ela tinha medo de escrever sobre isso. e quando tudo ficava escuro vinha a nostalgia.
quando julia era criança ela tinha medo de tudo. medo de escuro, medo de cachorro, medo da noite, medo do pai, medo da descarga do banheiro, enfim, tudo aquilo que ela não conseguia prever como poderia reagir a assustava. mas sobretudo as tempestades.
nos meses de verão sempre chovia no fim da tarde. era como uma lenta dança da natureza. as nuvens se agrupavam, escureciam, e o dia virava quase noite. a empregada corria para fora de casa pra recolher as roupas que secavam no varal, a mãe fazia o sinal da cruz como um mantra a cada trovoada forte e os cachorros dos vizinhos se escondiam. nesses pequenos minutos que precediam a grande chuva, julia queria se esconder, abraçar alguém muito forte, ou simplesmente chorar. por vezes ela rezava e pedia ao pai do céu para que o barulho passasse. pedia com tanta crença que as vezes ela achava que tudo tinha passado por causa do medo dela.
quando o vento batia e as nuvens se discipavam ela ia para fora de casa, e sentia a energia da terra na sola dos pés. ela olhava pra cima, jogava os braços pro alto e rodava no quintal até cair tonta no chão. as vezes ela achava que via deus, sentado num grande trono de madeira usando uma manta vermelha com anjos em volta.
julia cresceu, mas a natureza continuava com as mesmas chuvas de verão. e já adulta ela não tinha mais pavor da trovoada nem dos clarões que as anunciavam, mas ela tinha medo de escrever sobre isso. e quando tudo ficava escuro vinha a nostalgia.
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